CAIXA: Mega + Quina + Lotofácil e … o resto!

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Agora em Outubro/2017 foi divulgado o Boletim de Acompanhamento do Mercado de Loterias que é uma publicação da Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda.

Ele aborda dois assuntos:
(1) Arrecadações e Taxa Real de Crescimento
(2) Loteria de Sorteio de Números e Loterias baseadas em Prognósticos Esportivos:Saiba Mais

O referido Boletim, dentro do segundo assunto, faz uma divisão das Modalidades de Loterias em 2 blocos, de acordo com a performance das mesmas em relação à arrecadação:
            Bloco 1: Mega Sena, Quina e Lotofácil;
            Bloco 2: Dupla Sena, Lotomania, Timemania, Bilhetes, Raspadinhas, Loteca e Lotogol.

Observando a arrecadação de cada Bloco, a partir de 2000, o Bloco 1 apresenta uma arrecadação cada vez maior, enquanto que o Bloco 2 arrecada cada vez menos (vide gráfico abaixo).
Os valores apresentados são expressos em Bilhões de Reais e se iniciam no 1º Trimestre de 2000 (Fonte: CAIXA / SeAE).

Convém observar que no 3º Trimestre de 2003 a diferença era de 63,3% – 36,7% = 26,6% e no 3º Trimestre de 2017 a diferença aumentou para 88,8% – 11,2% = 77,6%!

O Bloco 1 responde por 88,8% da arrecadação de todas as Loterias em suas diversas modalidades! As outras 7 modalidades não arrecadam 12% do total!!!

A CAIXA sugere que a LotoFácil – 1º Sorteio em 29/09/2003 – acentuou a diferença entre os 2 Blocos, a partir de sua criação. Nossa opinião é de que, além deste motivo, existem outros fatores bastante marcantes no distanciamento destes 2 Blocos. Eis alguns:

– A Loteria Federal (Bilhetes) (1962) totalmente abandonada, não se investindo em marketing, em reciclagem dos apostadores e modernização deste produto que tem mais chances de prêmios … é a mais fácil de ganhar!!! Havia uma tradição que a CAIXA destruiu quando lançou a Loteria dos Signos (1998/1999), substituindo as Extrações das Quartas-feiras por esta modalidade mal trabalhada e de pouca aceitação. Quando percebeu e voltou à forma anterior, já tinha “perdido o barco”!

– A Loteca (antiga Loteria Esportiva – 1970) teve seu auge nas décadas de 70 e 80. Com o surgimento da Loto (1980) – depois renomeada para Quina (1994) – que tornava tudo mais fácil para o apostador (aposta ao portador, sem precisar de nome e endereço para apostar !!!), a Loteca (2002) teve sua arrecadação descendo ladeira abaixo e hoje amarga uma performance lastimável.

É a que mais incita o gosto pela aposta, pela emoção, além de “tocar” na “paixão” do brasileiro(a) … não é a mesma coisa apostar num São Paulo x Corinthians, do que na Dezenas 23 ou na Dezenas 47!!! O Espaço amostral não é equiprovável, ou seja suas chances não são iguais! Depois de algumas tentativas/mudanças nada mais foi feito para reativá-la!

– A LotoGol (2002) também não teve a divulgação necessária. É bem mais difícil do que a Loteca, sua chance é de 1 em 9,7 milhões, contra 1 em 4,7 milhões na Loteca. Sofreu alterações ao longo destes anos, porém não lhe foi dada a devida atenção!

– A Raspadinha (1991) foi uma febre no início, mas foi perdendo terreno para as Raspadinhas não-oficiais, que ajudaram na descrença do produto. Agora a LOTEX deve dar um bom empurrão nesta arrecadação, apesar de que ela não fará parte – no futuro – deste pacote de Loterias.

– A Dupla Sena (2001) é um produto derivado da Dupla Chance (1997), que por sua vez derivou-se da SuperSena (1995). É equivalente a Mega Sena, porém com maior chance de acerto (1 em 15,8 milhões contra 1 em 50 milhões) e a um custo muito menor (R$ 2,00 contra R$ 3,50 da Mega Sena) e mais: concorre-se a dois sorteios por este preço!!! O apostador não sabe disso … a CAIXA não investe em publicidade de seus produtos! Veja como os sites de apostas divulgam seus produtos!!!

– A LotoMania (1999) foi desbancada pela LotoFácil por um motivo muito simples: Em qual é mais fácil jogar:  nesta que escolho 15 entre 25 Dezenas ou naquela que escolho 50 entre 100?!?! Eu não disse ganhar, disse jogar! No entanto, falando de chance, é mais difícil ganhar na LotoMania (1 chance em 11 milhões) do que na LotoFácil (1 chance em 3 milhões)!

– A TimeMania (2008), criada depois com um cunho político (ajudar os Times de Futebol pagarem o INSS) sofre dos mesmos problemas: divulgação, marketing, etc. É um jogo da Quina com algum enfeitinho!

Falta divulgação, falta o famoso “auê”, falta coragem e faltam também pessoas engajadas/focadas em Jogos. Pessoas que entendam disso e que façam uma análise das Modalidades existentes. Cadê a “Zebrinha” do Fantástico às 20h de todo domingo, fazendo seu papel divulgador?!?!

As mudanças/alterações realizadas nas modalidades de Loterias mais recentemente foram boas, mas … cadê a divulgação disso??!! Cadê as orientações de como usufruir das “vantagens” que uma modalidade oferece em detrimento de outra??!!

Como se vê as novas loterias só foram a Lotofácil (2003) e Timemania (2008) e nada foi feito para alavancar as vendas das que estão há anos sem serem incentivadas: de 2003 a 2017 (14 anos) sem imaginação! Veja o que faz constantemente o Silvio Santos com sua Tele Sena: reativa, renova, muda, tem imaginação e DIVULGA! Saiba Mais

O Lotérico/Funcionário deveria saber que a Loteria Federal é a menos difícil, saber que a Loteca vem a seguir e é acompanhada de perto pela LotoFácil, enquanto que TimeMania, Dupla Sena e LotoMania são bem mais difíceis de se ganhar e deveria divulgar/esclarecer estes fatos!

Há muitas modalidades de Loterias! Muitas funcionárias das Casas Lotéricas não sabem as diferenças entre duas modalidades distintas. Como se joga? Qual a chance em uma e na outra? Usando a mesma quantia de dinheiro, é melhor apostar nesta ou naquela? … não sabem!!! Já testei isso em várias Lotéricas ao longo destes meus 33 anos de vivência neste meio!!!

Nossa opinião é de que algumas modalidades deveriam ser extintas e outras readaptadas, somando-se a isso uma divulgação em massa e um treinamento obrigatório, dado pela CAIXA/Sebrae aos Revendedores Lotéricos e seus Funcionários! Temos esta bagagem e estamos prontos para arregaçar as mangas!

 

Cláudio Roberto Vigna

Bacharel em Matemática Pura
Instituto de Matemática e Estatística
Universidade de São Paulo – São Paulo/SP
Fundador e Sócio-gerente da CRV Sistemas & Consultoria


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